tem 5 minutos?

Talvez sim. Pensando bem, coisa que não nos falta são 5 minutos. Difícil é decidir como usá-los da melhor maneira, sem ficar assim com a ideia de que foi tempo perdido. Se bem que era mesmo isso que lhe queria pedir, 5 minutos para se perder, a pensar sobre as pessoas felizes.

Lembre-se das pessoas felizes que conhece. Em 5 minutos talvez não lhes descubramos todos os truques que guardam debaixo da pele de pessoas comuns. Mas podemos levantar uma pontinha do véu e espreitar para nos inspirar.

Agradecer (v. Reconhecer. Retribuir). As pessoas felizes vivem a agradecer.

Demasiado evidente, poderá pensar. Mas o valor das coisas importantes está na maioria das vezes na sua simplicidade. Agradecer é isso mesmo: uma forma simples de dizer quão importante para a felicidade é reconhecer e retribuir.

Nem sempre o caminho que seguimos é certo, muitas vezes nem sabemos onde vai dar. Outras percebemos que queremos mudar de meta. Ou escolhemos antes um caminho diferente e é tempo de voltar atrás e recomeçar. Às vezes temos dúvidas, medos, ânsias. Em certos dias o entusiasmo é difícil de controlar. E desilusões, quando surgem, custam a passar.

Com as pessoas felizes, também é assim, afinal são pessoas comuns. Mas nunca se esquecem de agradecer. Partem do bom princípio de olhar ao redor, com olhos de ver. E às tantas torna-se natural reconhecer e retribuir, assim como uma forma de estar…e de ser, mais feliz.

Qual a melhor forma de tornar um hábito realmente natural? Praticar. Connosco, em primeiro lugar. Se chegou até aqui quem sabe se não irá experimentar: guardar 5 minutos do seu dia para reconhecer e retribuir algo de bom. Por outras palavras, agradecer. Escreva sobre isso, todos os dias. Acredite que pode ser transformador.

Marta Faria

da liberdade de pensamento

Ser livre? É “poder fazer tudo o que quiser”.

Há, de verdade, um impulso irresistível para associar a liberdade individual às circunstâncias de uma vida: mais ou menos dinheiro, mais ou menos saúde, mais ou menos responsabilidades…mais ou menos uma série de condições que nos garantem a liberdade de podermos fazer tudo o que quisermos. Aparentemente. Algo interessante acontece ao perguntar a quem diz ser livre o que quer então fazer. Não é pouco comum o levantar de sobrancelha como quem fica à procura da resposta…um certo desconforto por não ter na ponta da língua todos os pontos da lista de desejos pessoais ou por sabê-los um a um desencantadamente por concretizar…parece-lhe familiar? Não se acanhe, já todos passamos por isso. E já agora, isso, tem muito pouco que ver com liberdade, é apenas consequência de percebermos que não controlamos todas as coisas ao nosso redor. Mas voltemos à questão principal.

Ser livre é “poder pensar tudo o que quiser”.

Pensamento é liberdade: um constante vou ali e volto já (sem sair daqui, agora, e sempre que me apetecer). À primeira vista, pode parecer uma conquista muito pouco importante. Mas não é. Vamos testar? Imagine um daqueles dias, ou se lhe bastar, um daqueles momentos «quero-ir-para-a-ilha». E imagine que, no meio do caos, surge um pensamento que lhe dá alento e energia para continuar – a razão pela qual é importante o que estou a fazer, as pessoas que vou rever quando chegar ao fim, o que vou sentir depois de perceber que sou capaz de resolver.

Mudou alguma coisa? Provavelmente sim. Transformou a sua atitude num contexto que permaneceu igual. Ficou tudo resolvido? Provavelmente não, mas deu uma ajuda. Quando «quero-ir-para-a-ilha» qualquer ajuda é bem-vinda. Nada é maior do que o nosso pensamento. Nada nos leva mais longe ou mais fundo. Nada nos torna mais seguros do que sabermos o que pensamos. Nada nos dá mais confiança do que pensarmos antes de decidir. Nada nos faz mais únicos do que termos uma ideia própria, com a vantagem de se poder guardar para nós ou partilhar só com quem se quiser.

Marta Faria

lar doce lar

Trabalhar em lar de idosos não é fácil. É necessário saber criar relações de confiança, gerir expectativas, responder a necessidades. Trabalhar com pessoas idosas é um trabalho complexo: por um lado, são exigidas aos profissionais elevadas competências pessoais, de relação e comunicação. Por outro lado, são exigidos conhecimentos teóricos em áreas diversas e a capacidade de recorrer a técnicas e metodologias de trabalho específicas. Para trabalhar com pessoas idosas não basta ter "habilidade", é fundamental saber fazer.

Com a organização deste encontro pretendemos refletir sobre as práticas de trabalho em lar de idosos. Pretendemos valorizar os profissionais que diariamente dão o melhor de si. Pretendemos também partilhar dificuldades e alegrias do nosso dia a dia... para aprender, para fazer melhor, para ser feliz a trabalhar em lar de idosos.

Esperamos por si!

antigamente é que isto era bom?

Caía a chuva numa noite de sexta-feira, treze.
 
Superstições à parte, dentro de portas a conversa seguia muito de acordo com o tempo que se ouvia lá fora, a provar que às vezes a vida anda de tal modo desafinada que nos enfeitiça o pensamento com ideias grisalhas: «então, mas antigamente é que isto era bom? É isso?». Talvez não seja bem isso. Talvez cada antigamente devesse ficar escrito em mil e um contos, para nunca se perder até se perceber, ponto por ponto. Como uma base de dados sobre a vida, pronta para consulta em caso de dúvidas existenciais.
 
A parte boa é que no mundo real há um saber de experiência feito a correr, de boca em boca, como manda a verdadeira tradição. Trata-se da herança de uma vida inteira a aprender, primavera após primavera. Um saber que não ocupa lugar, à solta e à espreita dos que o queiram conhecer e que muito ajuda a entender que o nosso mundo não está nem melhor nem pior. O nosso mundo está diferente de antigamente, não houvesse fome que não desse em fartura. E como andamos fartos: do “frio” e do “correr”, da “má sorte” e do “tanto querer”, do “andar sem poder” e do “tem de ser”. Se ao menos nos lembrássemos que podemos escolher… Escutar os velhos pode ajudar. Como numa brincadeira de crianças em que aprendemos com as suas histórias o que é isto de viver.
 
«O mundo ideal não existe, só o mundo de cada um, as ideias de cada um. E é isso que vale, mas é preciso haver respeito e compreensão. As pessoas deviam dar mais valor ao que é importante porque no fim de contas é o que fica. O resto é ilusão.» E o que fica? Um abraço apertado, uma mão a aquecer o coração, um beijo sem contar. Um sorriso de «bom dia» e um «olá, estou aqui» num olhar. Um colo para acalmar a dor, uma alegria partilhada, uma brincadeira improvisada. Uma palavra amiga, uma lição para a vida. Não custa nada.
 
Devia experimentar. Vai ver que vai gostar.

Marta Faria

se é para falar de amor

Que seria dos meses que nos enchem os anos sem dias “disto e aquilo” para contrariar o hábito de esquecermos quão especial é cada um. Sim, todos os dias são mesmo especiais. Um exemplo? Perguntar pelo último Natal e… «o Natal é isto, no dia-a-dia, estarmos assim. Mas correu bem, o Natal».

 

Pois é, a vida é de viver a sentir. E sentir não vem com data marcada. Mas depois também há a vida de viver a correr. E então talvez seja preciso quebrar a rotina, só para garantir que ficamos de olho no que realmente importa. De maneira que nem parece mal pensado haver dias “disto e aquilo”, a não ser que os tenha de haver no calendário para avisar de guardar tempo para sentir. Nesse caso mais vale deixar de correr, em vão.

Gosto da vida de viver a sentir, como se fosse uma espécie de coleção particular de memórias sem data de entrega e prazo de validade, onde é sempre Natal. Portanto costumam passar ao lado datas comemorativas de produção em série. Mas saindo à rua já se vê que é Fevereiro. Vamos lá a isso. Se é para falar de amor, comecemos pelo próprio.

Não se zangue o padroeiro nosso, mas o Saint do amor poderia bem ser Exupéry. Não que o amor se aprenda em livros cor-de-rosa. Antes pela história de um principezinho e da simplicidade com que se ensina o que é isso do amor: do tempo que se constrói desde o conhecer até ao encantar, da partilha que transforma o esperar em confiar, do todo que é mais do que a soma das partes. O amor começa em nós, por nós. Leva-nos dentro, de verdade, a descobrir-nos cada canto e aceitar-nos imperfeitos, sem pressas. Não faz mal ter arestas tortas, que o puzzle há-de encaixar-se de algum jeito. Verdade que peças mais pequenas levam mais tempo a fazer sentido, mas são as que juntam mais detalhe e por isso, ao encontrar o lugar certo, se apreciam melhor. Tal qual a sombra secreta que somos quando o sol nos espreita de fugida. Certos dias nem nós a vemos, mas tudo bem, que o sol há-de voltar, uma e outra vez. Mais a mais, o que nos é único não é para se andar assim, sempre a mostrar, não vá se perder.

E o amor cura, se o soubermos seguir. Mais ou menos como no filme do pirata que se aventura em busca do tesouro que não foi escrito nos mapas. Nem precisa, porque tem uma bússola. A bússola. Guiada pelo norte do coração. Tentamos? Basta parar, aqui e agora. Fechar os olhos, para ver por dentro e encontrar(-se). E seguir por aí, onde o nosso amor estiver.

Marta Faria

2023 | O Abrigo - Centro de Solidariedade Social de São João de Ver
Todos os direitos reservados. | Política de privacidade
Livro de reclamações online
Canal de denúncias